terça-feira, 8 de junho de 2010

Cinema Digital Popular (finalmente...)




Há tempos estou pensando num bom motivo para voltar a escrever aqui em grande estilo, com algo que realmente fizesse alguma diferença. E, como a atividade que mais tem me impedido de postar nos meus Blogs tem sido a acadêmica, achei que, agora, seria interessante falar de algo que apeteceria demais aos meus alunos.

É algo que me empolgou muito de ver, e espero que encante vocês, também.

Há dois anos eu falo com meus alunos, basicamente, sobre três câmeras de cinema digital: Sony Genesis (Varicam), que faz RGB "Raw Data" (basta dizer que não comprime cores), tem 3 CCDs (Charged Coupled Device, o sensor fotossensível da câmera) de 35mm, alto "range" de sensibilidade de luz, definição 4K (4 mil linhas) e um corpo de câmera com formato e peso de câmera de cinema; Thomson Viper, com mínima compressão de cor, 2K linhas, corpo de câmera de cinema; e a Red One, mais barata, full HD (1080 linhas progressivas) com exposição inteligente (falaremos sobre isso mais pre frente).

Uma maravilha.

Em valores aproximados, a Genesis (que não está à venda) custa US$900 mil, a Viper custa US$90 mil e a Red US$30 mil. Provavelmente, muito caro para os seus bolsos, assim como para os meus e para milhares de outros produtores audiovisuais no mundo inteiro. Para nós, a solução é fazer cinema digital de baixa qualidade, com alta compressão de cores e baixa (nem tanto) definição em linhas. Era a solução.

De alguns anos pra cá, meio que sorrateiramente, a Canon começou a soltar no mercado câmeras fotográficas de altíssima definição, sensor de 35mm e que fazem vídeos em Full HD. Tudo começou com a 5D Mark II, que não tinha nem essa intenção, mas, graças aos "fuceiros" de plantão, ganhou a função. Logo depois, a Canon se rendeu aos nossos amigos e, não somente deu à 5D a função de vídeos Full HD o caráter "de fábrica" à 5D, como, também, começou a dar "parentes" mais barata
s a ela. A 5D Mark II tem um sensor de 21MP, maior que o necessário para o fim de fazer vídeos de 1080 linhas ("ah, Professor, o senhor sempre fala que, quanto maior, melhor": calma. Não precisa ser tão grande).

Em seu lugar, a 7D, que nem da mesma família direito é - ela é descendente da 50D, outra linha de câmeras Canon, mais barata -, custa metade do preço (aproximadamente) e tem a mesma função, mas com um recurso que, antes, a gente só via na Red, em câmeras de vídeo. A tal da "exposição inteligente" que eu prometi explicar depois - o que é agora.

Imagine você trabalhando com uma câmera de cinema, em que a película pode ter um range de até 20 stops de luz. Muito mais fácil de trabalhar do que com uma câmera de vídeo profissional, tipo uma Beta Digital, ou uma SONY HDV ou qualquer outra, que tem, no máximo, uns 5 stops de tolerância.

"O que quer dizer isso, professor?" (nunca me canso de ouvir isso dos meus alunos em sala... rs): significa que você ajustou sua câmera para que um nível de luz represente o "cinza médio" (a exposição perfeita). Nas câmeras de vídeo acessíveis a reles mortais (vide estudantes de audiovisual ou empregados de pequenas produtoras de vídeo), dois stops acima e dois stops abaixo disso são os limites de informação registrada pelo(s) sensor(es); nas de cinema, dez acima, dez abaixo. Quando você passa dos limites, ou é branco estourando, ou é preto total.

Até as grandes câmeras de cinema digital, esse grande range de sensibilidade era exclusividade de película fotográfica (material sensível de cinema). Mas a gente não tinha acesso a essas grandes câmeras de cinema. Agora, à partir da 7D, nós continuamos não tendo acesso a essas grandes câmeras, mas temos acesso ao recurso.

Ela faz o seguinte: divide o sensor em 63 quadrantes (7 linhas, 9 colunas), mede a luz em cada um deles e corrige a exposição de uma forma quase independente. Resultado? Uma exposição similar à de uma câmera de cinema!

É ou não é uma "revolução digital para populares"?

Outra vantagem é que a 7D utiliza cartões de memória SDXC (SD de capacidade extendida), que, hoje, no mercado, já tem cartões de 128GB, mas tem tecnologia para evoluir para até 2TB.

Com definição Full HD, o vídeo sai dessas câmeras em formato ".MOV" e cada três minutos ocupam 1GB, ou seja, é melhor ter muitos cartões SD ou um SDXC para não ficar na mão.

A 5D já é encontrada nos States por US$ 4 mil, a 7D, por aproximadamente US$ 2 mil, ambas com conjunto básico de lentes. Aqui no Brasil, dependendo de onde você compra, R$ 9 mil e R$ 6 mil.

Mas já há uma alternativa melhor (para quem só está pensando em vídeo) e mais barata: Canon 550D (popular lá fora como "EOS Rebel T2i"). Ela faz tudo o que a 7D faz, mais a opção de 60fps em 720p, com um corpo de câmera um pouco menos robusto e metade do preço (US$ 1 mil, lá, e R$ 3 mil, aqui).

"E o que eu ganho quando compro uma câmera dessas em vez de uma Z1, por exemplo?"

Você ganha tudo isso que eu falei (a Z1 não faz, sequer, vídeos em Full HD. A Z5 faz, a Z7 também, mas não com essa qualidade), mais uma câmera fotográfica (sim, elas AINDA tiram fotos) de altíssima qualidade (21MP para a 5D, 18 para a 7D e a T2i), com possibilidade de cobertura esportiva (a 5D e a 7D tiram 8 fotos por segundo, se não me engano; a T2i tira 3,5, com certeza) e, de bônus (na verdade, o mais importante) a possibilidade de trabalhar com lentes intercambiáveis, que podem ser zoom (que já são melhores que as zoom que vêm nas câmeras de vídeo, à sua revelia) ou fixas, que têm uma construção ótica melhor, dando melhor resultado à sua imagem. Isso sem contar com a possibilidade de se usar polarizador, para evitar aberrações cromáticas, estabilizador de imagem e muitas outras coisas (vá pesquisar, vagabundo! rs).

Para se ter uma idéia, o último episódio da mais recente temporada de "House" foi filmada com a 5D Mark II, com o diretor declarando, após a experiência, que este deverá ser o futuro do cinema.

Eu já experimentei e aprovei a T2i. Nunca cheguei perto de uma 5D ou 7D e há quem diga que a 5D é inigualável, mas, com os recursos da 7D e da T2i, eu seriamente duvido.

Se alguém quiser me contar, os comentários estão abertos aí!

Para quem quiser dar uma olhada em testes com a T2i (dá pra ver em HD):





5D Mark II:





7D:





Enjoy!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre Mentiras e Omissões


É impressionante que, em plena era da mídia, século XXI, Rádio, TV digital, Internet, Blogs, Twitter etc., as pessoas realmente questionem a legitimidade do poder de fiscalização, controle e questionamento dos três poderes públicos/políticos (Executivo, Legislativo e Judiciário) por parte da Imprensa. Aliás, a definição de "três poderes", principalmente no Brasil, já está muito desgastada.

Um quarto poder vem ganhando força, um poder que eu chamo de "Popular". Desde que me conheço por gente, "pessoas politizadas" (leia-se PeTistas), vêm me ensinando que o povo brasileiro precisava (e ainda precisa) fiscalizar os políticos que elegem, acompanhar seu trabalho, interferir, fuçar, até incomodar aqueles que, via de regra e por definição, são os nossos representantes dentro dos três poderes. Dois, na verdade. O Judicuário não sofre da "interferência popular sazonal".

Realmente, é bastante recente (para não dizer que é inexistente) a vontade do povo brasileiro pela mobilização em função de uma classe política decente, ética e moral. Ela ganhou muita força na última década e tem em dois instrumentos a substituição da luta armada, usada pelo Partido Comunista até a década de 1970: a Internet, grande responsável e facilitadora de movimentos políticos e sociais e da disseminação da educação política de nossos jovens, e a Imprensa, grande ponta de lança do poder Popular, que acelera a mudança do povo brasileiro, visando alcançar aquelas vítimas da exclusão digital e pessoas que ainda apresentam resistência aos jornais de luz e à vida plugada.

É certo que a imprensa tem vícios e as reportagens, via de regra, escondem, por trás das palavras, a tendência política de quem as escreve, mas ela, como a mídia em geral, se apresentou como, não só um instrumento de disseminação das informações, mas, também, uma espécie de polícia investigativa, que espreita por escândalos e corrupções, claro, com fins lucrativos (tudo, no nosso mundo ocidental/capitalista tem esse fim), e que tem, sim, o papel de intrumento social para a fiscalização mais eficiente da classe política.

Acho absurdo que alguns da classe jornalística passe panos quentes na situação e ataque aqueles que cutucam, dizendo que deve-se relevar alguns escândalos em prol de uma suposta "estabilidade" política, econômica e social. É ridículo que aceitemos, seja de quem for, escândalos e corrupções. Na situação em que está o País, precisamos, sim, de uma imprensa que escancare o que há de mais (e menos) sujo em todos os níveis da política nacional, mostre o que há de exemplo a ser seguido e ensine nosso povo que um País sem uma classe política decente não vai nunca chegar à igualdade social que todos nós almejamos.

Num País que alguns jornalistas com tendências políticas tendem a recriminar jornalistas que falam a verdade (seja com qual intensão for), não é de se surpreender que, nas camadas mais pobres da sociedade, o marginal é herói, o traficante é objetivo de vida da criança e o "jeitinho brasileiro" seja disseminado como algo bom, tornando a malanragem regra e criando a cultura de "bolsas família" e afins, que ancoram os menos favorecidos na situação em que estão.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Show do Grotesco


Susan Boyle. Connie Talbot. Mari Moon. Stephany (a do "Crossfox Amarelo"). Zina (o "Ronaldo, brilha muito no Corinthians", do Pânico na TV). Mulher Melancia. Maysa. BBB. Rodney Dy. O que todos tem em comum?

Beleza? Certamente, não todos. Talento? Com exceção das três primeiras (com ressalvas), nenhum. Cérebro? Menos. Mas o que, então, tem todos eles que nos fascina, nos leva a buscar na internet, ver, rever, permitir que nos apresentem, dar audiência a tais elementos completamente dispensáveis às nossas vidas?

Pode verificar: todos são "celebridades" fabricadas pela mídia, feitas para serem "carismáticas" ao menos por um tempo suficiente para que seja fabricada outra, que substituirá a anterior, sem talento ou "carisma" suficientes para entreter as massas por tempo satisfatório.

São descartáveis. Temporários. Perecíveis.

O prazo de validade é curto (das listadas anteriormente, só acredito na continuidade de Mari Moon, que sabe se expressar, e de um ou outro BBB que a mídia suporte, por terem todos a Globo como cartaz), vez ou outra tão curto quanto a paciência do público ou da própria "celebridade" (vejam o caso de Boyle, que, desculpando o trocadilho, "ferveu" MESMO o cérebro e descobriu que sua vida pacata era mais confortável, a despeito de todo seu talento).

Mas "celebridades" fabricadas não são novidade. Elas estão por aí desde que existe a mídia. Para se ter uma idéia, dese que Holywood se tornou uma indústria, ela dependia do famso "Star System" para se vender. Eles perceberam que, quando o ator ou a tariz era conhecido(a) o filme vendia muito mais. Então, eles passaram a "fabricar" esse tipo de "estrela", para que a indústria prosperasse.

Depois, veio a indústria da música (da maneira que a conhecíamos até recentemente) e, com ela, uma maneira peculiar de se "fabricar" estrelas. As gravadoras criaram, desde o início do século, um esquema para multiplicar os dividendos de um artista: primeiro, expor sua música exaustivamente em rádios, fazendo a obra entrar na "boca do povo"; depois, lançar um monte de "artistas-cópia", criando um "pseudo-gênero" e vendendo não só os álbuns do "artista principal" (main-artist, no inglês), mas os das cópias, também.

Veja, como exemplo, gêneros de grupos musicais, como as "boy bands", os grupos de pagode, a exorbitante quantidade de subgêneros do Rock and Roll e, mesmo do já subgênero de Rock, o Heavy Metal, todas as crias de Madonna (Britney, Cristina etc.) e, mais atualmente, as dezenas de Beyonceés.

A fórmula da cópia serve, também, para a TV, e mesmo o cinema se usa de fórmulas-padrão, principalmente o "monomito", ou "Jornada do Herói", de Joseph Campbell (leia mais sobre isso aqui, aqui e até aqui), que funciona muito bem.

Hoje em dia, este esquema ainda existe, mas perdeu a força, devido ao fenômeno da Internet. A maior parcela da população economicamente ativa não depende mais do desejo de gravadoras ou grandes empresas para formar seu gosto, seja musical, audiovisual, artístico, televisivo, enfim, se você quer, você procura, você acha, você decide se gosta ou não.

Apenas a parcela menos favorecida da sociedade, que tem pouco acesso ou acesso restrito ou nenhum acesso à rede, ou aqueles que não tem intimidade com ela ou aqueles que, simplesmente, tem preguiça de vasculhar, acaba vulnerável ao que ráios, emissoras de TV ou interesses de grandes empresas de entretenimento nos enfiam goela abaixo.

Daí vem o cerne da questão: para não perder o poder de controle das massas que faz a mídia vender publicidade e sobreviver, os veículos de comunicação se fizeram valer de uma teoria de Arlindo Machado, que diz que o público se sente atraído pelo "grotesco". O "bizarro" toma conta do talento e ocupa todo o tempo de telejornais, programas de variedades e sensacionalistas em geral. Para atrair o público para a frente da tela (ou para o dial em questão), roteiristas, produtores e diretores apelam para o ridículo, o risível.

Mas, como já foi dito aqui, na maioria esmagadora dos casos, falta talento de verdade a esses produtos e, devido a isso, sobra perecibilidade aos mesmos. O prazo de validade das bizarrices é cada vez menor, então, as mídias as exploram à exaustão, criando um círculo vicioso e a necessidade cada vez maior de se substituir rapidamente o grotesco, para manter o interess do público em alta.

E, como nós temos MESMO um interesse estranho pelo grotesco, depois de vermos na televisão a criação da "celebridade", procuramos por ela na Internet, criamos perfis falsos no Twitter, no Orkut, comunidades etc. Eu, mesmo, sou seguido, via Twitter, pelo perfil falso (óbvio) do Zina, o famoso "Ronaldo, brilha muito no Corinthians".

E o caminho inverso também vale: sucessos do Youtube, como a "Stephany Crossfox Amarelo", Rodney Dy e a "Dança do Créu", acabam importados pela TV, em programas popularescos.

Se não gostamos, cabe a nós mesmos filtrarmos o que queremos ou não ver, como eu mesmo fiz, cortando quase completamente a TV da minha rotina, salvo aluns programas que ainda acho interesantes. Eu costumo preferir a mídi impressa e a internet.

Como disse o sábio Gugu, numa passagem da minha adolescência, a nossa TV tem um botãozinho vermelho, seja no aparelho, seja no controle remoto, que nos dá o poder de assistir, ou não, às porcarias que ela exibe.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Descanse em Paz, Michael

Quinta-feira passada, o mundo musical teve a sua maior perda desde Fredy Mercury.

Michael Jackson pode não ter sido o último criativo da música mundial -- poucos, mas notáveis, tem feito coisas bem legais de 1990 pra cá --, mas, falo com toda a certeza do mundo, foi o último grande.

Como disse Danilo Gentili em sua coluna no jornal Metro, é raro demais ver gente fazendo coisas que ninguém nunca fez antes e pouquíssimos fizeram da maneira de Michael e influenciaram tantos quanto Michael.

Desde o Rock n' Roll até o mais comercial dos "Black Musician" americanos, todos chuparam um pouco de Michael.

Dá para contar nos dedos os que fizeram tanta diferença para a música e a arte na história.

Como disse Marcelo Tas em seu Blog, nenhuma bizarrice, incluindo o noticiário de sua morte, vai apagar o que Michael fez.

E, a exemplo do mesmo Tas, vou deixar aqui o que eu mais gostei da carreira de Michael Jackson. Mas, como sou um cara do audiovisual, não vou me limitar à música. Não vai ser a minha música preferida, mas meu clipe preferido.


O pesar é enorme quanto à morte de Michael.

Descanse em paz.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mais uma crônica de outra morte anunciada.

Agora é oficial.

Depois de muitas tentativas de contato e de eu ser muitas vezes ignorado, infelizmente, de acordo com nota publicada no site UNIVERSO HQ, a EDIOURO, atual única dona da Pixel, hoje transformada em apenas um selo de quadrinhos dentro da Ediouro, rompeu seu contrato com a DC e não mais publicará as séries dos selos Vertigo, Wildstorm e ABC, que vinham saindo nas revistas Pixel Magazine e Fábulas Pixel, que estão oficialmente canceladas, ou em forma de encadernados e minisséries.

Mais uma vez, os altos prejuízos causados pela baixa vendagem e os altos custos, agravados pela alta cambial e a crise internacional, desta vez, são as desculpas.

O próprio Universo HQ fez críticas às desculpas e, convenhamos, eles esão certos. É fácil demais culpar as baixas vendas e a crise pelos prejuízos, tirando a responsabilidade de si, em vista da parca distribuição, os atrasos e, principalmente, o descaso com campanhas publicitárias para promover o material publicado.

O público leitor de quadrinhos juvenis e adultos aqui, no Brasil, já é ridículo. Já é conhecido que, aqui, lemos Mônica, e só. A tiragem de outras revistas em quadrinhos é baixíssima. A Panini consegue sobreviver neste mercado devido à grande quantidade de títulos e muita competência na divulgação do material. A Wizard (Wizmania) não é apenas uma forma de propagar notícias, mas, também, uma jogada genial de marketing.

Nada, em lugar nenhum, sobrevive sem divulgação, ainda mais se você levar em consideração que não é cultura do brasileiro ler, muito menos histórias em quadrinhos. O estigma de subliteratura sobrevive firme e forte por aí. Materiais como Sandman, Fábulas, Hellblazer,   Preacher e Monstro do Pântano são tão bons quanto surpreendente para 90% da população que, quando faz amizade com um indivíduo que lê quadrinhos discretamente (porque, quando ele torna pública a paixão dele por quadrinhos, imeditamente é marginalizado e rotulado como "infaltil" ou "nerd" ou qualquer coisa perjorativa -- não que nerd, hoje, seja perjorativo -- que você imaginar), acaba pegando na mão um material destes e percebe que o preconceito que tinha com os quadrinhos até aquele momento era apenas isso, mesmo, e que quadrinhos podem ser dirigidos para um público maduro, que espera boa literatura.

Acreditar que simplesmente a qualidade, indiscutível, do material vai fazê-lo vender, por si só, é uma ingênuidade que o mercado brasileiro não perdoa. E achar que São Paulo sozinha vais sustentar o selo também é primário. E São Paulo, quando eu digo, é a cidade, e não o Estado. Até pouco tempo, eu estudava em São Carlos e, até hoje, costumo comprar as minhas coisas em Santos, onde passo meus fins de semana e sei que é virtualmente impossível encontrar material que não seja mangá e Panini (esta última, também, com alguns problemas de divulgação) a não ser em bancas especializadas e, mesmo assim, há muito material que, nas poucas vezes que chega, é irregular, faltando edições etc.

Pra citar o caso mais crítico, em São Carlos, onde eu estava quando a Pixel começou a publicar a Pixel Magazine, eu esperava um mês inteiro depois da revista chegar em São Paulo para uma única revistaria da cidade receber três exemplares (quando muito) e um era meu!

Vamos levar em conta, aqui, também, que o trabalho editorial, incluindo qualidade gráfica, tradução, escolha dos títulos, maneira que eram publicados, preço etc., era excelente.

Mas o mercado brasileiro é cruel com quem comete erros com ele.

Só nos resta esperar que alguém pegue este material e dê continuidade, senão nos mesmos moldes, ao menos publique até o final as obras que chegamos, até, a nos acostumar em ler e a esperar o(s) mês(es) inteiros nsiosamente pela continuação.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Haja o que houver, não tome a bebida

Quando eu cheguei naquele bar, já passava das duas da manhã. Tinha andado por mais de três horas, tentando saber onde eu estava, pra onde eu estava indo e como eu chegaria em casa.

Maldito dia.

Não bastasse o trabalho frenético, as horas extras que ninguém nunca me pagaria e o seqüestro relâmpago, do qual, infelizmente, eu saí vivo, os caras ainda me deixaram num lugar onde eu nunca estive.

As ruas são todas idênticas.

Ainda se eles tivessem me deixado o celular, ou algum dinheiro, mas não. me deixaram aqui sem nenhuma chance de descobrir onde estou.

É madrugada e, pra completar a minha sorte, o céu não tem nem lua, nem estrelas. se eu fosse calmo o bastante, esperaria o sol nascer -- se é que ele vai nascer --, para poder, ao menos, me guiar por suas direções, mas, ao invés disso, eu andei. Sem nenhum rumo, atrás de uma porta de garagem aberta com dois ou três pinguços jogando sinuca que possam me dar alguma direção.

Olho no meu relógio -- tão vagabundo que eles não quiseram levar -- e já são quase três da manhã. O boteco parece ser gerido pelos pinguços. Fico esperando uma eternidade, encostado no balcão, e ninguém aparece. Fico tentado a pegar a batatinha que está pendurada na estufa vazia, mas, ao contrário daqueles que me largaram nesse fim de mundo, não sou ladrão e tenho princípios. Eu espero. Às três e quinze, entra pela porta de clientes uma jovem. Acho exótico, afinal, era uma moça bonita, casualmente vestida, no meio da madrugada, num boteco de quinta num fim de mundo.

Tudo fez sentido quando ela passou para dentro do balcão. Ela me olhou de soslaio, quando eu só consegui balbuciar um "moça...", e se virou, já com um copo americano em mãos e uma garrafa de cachaça entornando o copo, que ela coloca na minha frente.

"Moça, me desculpe, mas não vou poder pagar por isso", foi a primeira coisa que me ocorreu a dizer, em reação ao copo de pinga. "Beba logo. O que veio fazer aqui, afinal? Posso te garantir que não foi por acaso que chegou aqui".

Legal. Agora, estou perdido num bar no meio do nada, às três da manhã, e a dona do bar é louca. Tentei parar com o turbilhão de informações e possibilidades que passavam pela minha cabeça para me concentrar no meu problema principal. "Moça, eu fui sequestrado e largado a uns sete quilômetros daqui. Faz três horas que estou andando e só vejo casas e árvores. Seu boteco é o primeiro indício de que existe vida nessa cidade fantasma. Você pode me ajudar com um troco e me informar onde eu posso pegar um ônibus para o centro?"

Ela deu uma pequena risada que, olhando pelo lado positivo, ao menos, mostrava que ela havia prestado atenção em mim. "Aqui não passa ônibus, moço", me respondeu. Ela tinha uma voz feminina e bonita, apesar do peso e do tom das frases que ela proferia. "Nem tem 'estabelecimentos comerciais', como 'cê mesmo chamou minha espelunca. Eu não tenho dinheiro. A única coisa que eu tenho pra te ajudar, eu já te dei. Agora, bebe logo, se é que você quer sair dessa."

Eu não conseguia acreditar na insanidade dela. No que um copo de cachaça iria me ajudar naquela altura do campeonato? No mínimo, eu iria ficar bêbado e virar mendigo até ser achado por alguém em alguma sargeta, por aí.

"Eu não posso beber, moça. Estou perdido, preciso achar a minha casa!"

Ela se virou para mim com uma cara zangada, porém, complacente. "Tá bom. Você não quer fazer do jeito fácil, né? Então, vem comigo, eu vou te ajudar", disse ela. Eu quase não conseguia mais acreditar na falta de sentido em qualquer frase que ela proferia. Ela era insana! E estava me convidando a entrar numa pequena porta que tinha ao lado de sua estante de bebidas, quase escondida.

Três e meia. Essa era a hora, e dois dos três bebuns já haviam ido embora. Ela percebeu que eu olhei para eles: "não se preocupe, não há o que roubar, aqui. E mesmo se houvesse, não o fariam. É tarde demais."

Mais uma. Talvez eu comece a contar a quantidade de frases sem sentido que essa mulher soltar daqui por diante. Mas o mais estranho é a confiança que eu sinto na figura dela. Qualquer pensamento de ela é uma psicopata se esvai rapidamente no momento que fixo meus olhos naquela mulher. 

Apesar disso, eu reluto um pouco a levantar do meu banquinho, mas acabo aceitando o convite e a sigo para dentro da porta.

É um corredor tão estreito que eu mal posso passar por ele de frente. Ela não sente dificuldade nenhuma: seu corpo é esguio e o corredor parece feito para ela. Sua pele é tão branca que, se não estivesse tão escuro, eu poderia ver através dela. Seu cabelo, negro como a noite de hoje, é grosso, liso e comprido até a cintura fina da jovem. Cinco metros adiante, uma escada, ainda mais estreita.

Quando, com muita dificuldade, eu chego ao porão, ao fim da escada, sinto um calafrio. O lugar é,  a exemplo da roupa a jovem, todo preto. Só enxergamos algo   graças a uma pequena lâmpada pendurada num fio de eletricidade no meio do teto baixíssimo. Livros e mais livros cobrem as pequenas paredes, além de pilhas de livros antigos e enormes espalhadas pelo pequeno chão. Quem diria, a jovem e maluca dona de uma espelunca frequentada por bêbados é uma louca, também, por leitura.

Ela ajeita algumas pilhas de livros de forma que eles componham um banco e senta, dizendo para eu fazer o mesmo com outras pilhas. Eu o faço e, assim que eu sento, ela começa um interrogatório.

"O que você acha que veio fazer aqui, neste lugar?", foi a primeira pergunta que ela fez.

"Nada. Fui vítima de um sequestro relâmpago. Levaram meu carro, meu dinheiro, meus pertences, meu telefone. Me largaram no meio do nada, de noite, num bairro onde não existem pessoas. Pudera. Andei alguns quilômetros e não achei um lugar onde alguém poderia comprar sequer um pão."

"E você tem absoluta certeza de que o fato de estar aqui é por acaso?"

"Claro que sim. Isto é tão óbivio quanto o resultado de um mais um. Eu fui largado num bairro onde nunca estive na vida e vaguei por três horas seguidas sem direção. Só parei quando achei seu bar, para pedir uma ajuda e informações. Ao invés disso, fui convidado a beber um copo de cachaça e, ao negar, fui trazido a um quarto preto onde estou respondendo a um interrogatório sem sentido e, a propósito, não sei por que. Acho que vou continuar procurando alguém normal para me ajudar a sair desse fim de mundo."

Eu me levanto em direção à porta, quando sinto sua delicada mão direita segurar meu braço direito com uma convicção que nunca havia visto antes. Ela tinha um semblante de pena por mim que já começava a me irritar.

"Se quer mesmo sair daqui, é melhor escutar o que tenho para falar. Se sair deste boteco, não verá ninguém até o Sol nascer. Quando o Sol nascer, vai desejar que ele se ponha logo. E, quando ele se puser, vai achar este lugar aqui, de novo, e não vai mais dizer não à minha cachaça."

Aquilo me assustou. Inexplicavelmente, eu sentia, no fundo, que ela sabia o que estava dizendo. Ela me leva a mais uma porta e, estranhamente, saímos num lugar diferente. Rapidamente percebo que é um cemitério e que está garoando. andando mais um pouco, vejo pessoas. Mais perto, vejo que conheço estas pessoas. É um velório, provavelmente, de alguem que conheço. Não sei como cheguei aqui, mas deve haver algum significado.

Ela pára , me segura e me faz a última pergunta: "você foi feliz em sua vida? Acha que tem algo a dizer a alguém? Sente que ficou faltando fazer algo?"

Estranhamente, eu sabia a resposta. Não. Já havia feito tudo. Não havia deixado nada para trás. Claro que, agora, me dava vontade de entrar naquela sala e dizer à minha mulher o quanto eu a amo, ou para a minha filha o quanto ela significa para mim, mas, provavelmente, não era disso que ela falava.

Minha vida foi intensa. Até este momento, eu já havia realizad todos os meus sonhos, e não fazia mis sentido continuar. Se fui uma boa pessoa? Acredito que sim. Nunca deixei de ajudar quem precisava de mim. Sempre fiz o que sentia ser melhor para a minha família.

Talvez fosse a hora de partir, mesmo.

Ela soltou um sorriso. Me disse que eu podia sussurrar no ouvido de minha mulher palavras de alento e, depois, voltar, para completar minha jornada. Foi o que fiz.

"Querida, te espero aqui. Haja o que houver, não aceite a bebida. Te amo e continuarei te amando pela eternidade, haja o que houver em sua vida depois de minha morte. Cuide bem da nossa filha."

Quando eu volto, há uma porta no meio do nada. A moça de preto abre a porta para mim, e eu sinto, ao passar pela porta, que não vou ficar aqui por muito tempo. Pelas conversas, vou voltar à minha família. Vou ter o meu mesmo sangue. Vou ser meu próprio filho. Mas não saberei disso quando estiver lá.

Que bom. Viver é gratificante quando se vive ao lado de pessoas como minha mulher. Pessoas que amamos e que cuidam de nós. Pessoas que nos ajudam a fazer o bem. 

Joe Satriani versus Coldplay

Pra quem não sabe, Joe Satriani está processando o Coldplay por plágio.

O motivo do processo é a música "Viva la vida".

Pra saber mais:


Eu não sou músico, muito menos professor de música. O máximo que eu entendo de música é gravar no Audition e no ProTools, sem deixar o som clipar e jogar o metrônomo pro retorno do baterista, mas esse cara não só entende de música, como é professor teórico e prático:



Assistindo aos dois vídeos, podemos perceber a cara de pau de Chris Martin e Cia. Ltda.

Agora, não é preciso ser PhD em teoria de som e movimentos harmônicos, nem entender inglês, pra sentir a semelhança:


E aí, o que vocês acham?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O tempo e a poeira

Nossa, quanta poeira... cof, cof...

Como consegui ficar tanto tempo sem entrar neste lugar? Olha aquilo! Está tudo jogado... exatamente do jeito que deixei na última vez que vim para escrever alguma coisa. Olha só pra esta escrivaninha... tantos rascunhos... ideias rasgadas, amassadas... algumas tão boas. Nem sei por que sou tão cruel com as minhas próprias ideias: às vezes me dou ao privilégio de contar verbalmente algumas a interlocutores, e elas parecem tão boas saindo da minha boca... as pessoas se empolgam, dizem que eu deveria dar continuidade, mas, quando as coloco na tela, dou rítmo às teclas do computador, como um piano clássico e suas notas rápidas, as ideias não parecem mais tão bonitas e ficam emperradas no primeiro capítulo.

Ao lado da minha escrivaninha, minhas fontes de inspiração: meus discos do Queen, os livros do Gaiman, O Código DaVinci... como eu queria saber mais de criptografia... tudo fazendo uma enorme pilha no chão... cheios de poeira, do tempo que não os toco, desde a última vez que os li em busca de refresco para meu cérebro. Alan Moore, uma vez, disse que, quando ia escrever algo, não lia nem via nada, para se limpar de influências. Besteira. Todas as histórias que são boas têm um punhado ou dois de bases e referências.

Vou confessar, o trabalho do dia-a-dia atrapalha um pouco. O estress e a obrigação de se sobreviver na megalópole serve como uma borracha, que vai apagando as ideias antes mesmo delas tomarem forma. E isso se agrava quando se tem dois empregos. Males do começo de carreira. Para se formar um salário decente, transformamo-nos em vários. Para pagar o aluguel e, ao mesmo tempo, podermos sair com a namorada no fim-de-semana, sacrificamos cada minuto dos dias úteis.

E, assim, sacrificamos muitas de nossas ideias. Muitas historias se perdem no cansaço, mesmo tendo sido sonhadas, ou elaboradas em detalhes durante uma viagem de trem ou ônibus. Em cima da minha escrivaninha, tenho a minha prancheta.

Os rabiscos são bonitos. Eu desenhava muito bem quando tinha tempo. Hoje, preciso de muito tempo para fazer um rabisco minimamente decente. E pensar que, quando eu era apenas um aluno universitário, ficava contando os dias para a minha formatura, para entrar no mundo profissional e colocar em prática a profissão que escolhi para mim com tanto gosto. Não que eu não goste do que faço durante o dia. Eu amo o que faço. Mas parece tão pouco... tão pouco dentro do oceano criativo dentro do qual me via durante os tempos acadêmicos (os de aluno, não os atuais).

Quando se é jovem, se quer abraçar o mundo. À época, fui alertado por um sábio professor de que é melhor sonhar com coisas mais palpáveis, para que se atinja o objetivo e não haja frustrações. Mas não quis acreditar, por sentir que o tempo era meu aliado.

Mas o tempo, no qual eu surfava, se tornou uma onda forte e agressiva, que me espreme nos recifes de corais da realidade, me machuca. Mas eu não vou desistir. Pegarei uma onda ainda maior, desafiarei seu tubo e vencerei.

Mas falando em tempo, o relógio sobre a escrivaninha, mesmo com uma enorme teia de aranha em sua lateral, me avisa que já é tarde.

Eu me levanto, vou até a porta do porão e, já sob a luz do corredor, apago a vela e prometo a mim mesmo limpar a bagunça e tirar a poeira de tudo amanhã, quando o sol iluminar a janela.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Nossa Terra-de-Ninguém

Às vezes, a gente pensa: "por que a vida é uma m***a?"


"Por que tem que dar sempre errado? Por que tem sempre que ser do jeito mais difícil? Por que eu tenho sempre que brigar?"

Tem uma classe sempre odiada por muitos, inclusive por mim, mas que não é a dos advogados, mas a dos operadores de teleatendimento. Mas, pensando bem, a culpa não é deles?

O que você vai exigir de uma pessoa que mal fez o segundo grau, que só segue um maldito livrinho de respostas prontas que está sempre a tiracolo? O cara ganha uma miséria por mês, não recebe o menor investimento do patrão para se preparar a resolver os problemas que deveria resolver.

E por que isso?

Porque vivemos no Brasil, e esse país é a maior terra-de-ninguém do mundo!

Não importa que o governo deixou de prestar um serviço ao povo e esse serviço passou a ser prestado por uma "concessionária".

Esse serviço é regulamentado e, ainda que uma empresa privada, recebe subsídio, dinheiro do imposto que nós pagamos, para nos prestar.

Além do imposto, nós PAGAMOS para recebermos o serviço. E pagamos caro. Enquanto, nos EUA, a internet banda larga é uma cortesia das empresas de telefonia e, no Japão, a recepção de HDTV via celular 3G é gratuita, esses serviços são prestados, aqui no Brasil, a peso de ouro.

Mas, mesmo sabendo disso, nós pagamos pelo serviço. E ficamos satisfeitos enquanto ele nos é prestado. Mas, uma vez que ele não nos é prestado, nós recorremos ao teleatendimento. E é aí que nossa vida vira um inferno.

O descaso e a insistência deles em querer te irritar e te fazer querer desistir de lutar por seus direitos, além do despreparo dos teleatendentes, que deixa nossos nervos à flor da pele, é tanta que você chega a pensar em realmente fazer do jeito deles.

Mas não.

Vou continuar me defendendo e defendendo o meu direito de comprar o que eu quiser, quando eu quiser, pois é para isso que eu trabalho: para ter as minhas coisas e viver a minha vida da maneira que eu quero viver.

A Sony Ericsson, no momento, encabeça a minha lista negra, seguida pela Telefonica, Embratel (NET), Casas Bahia (ninca mais piso naquele lugar) e a Claro está por um fio para entrar nessa lista.

Se, por um acaso, eu demorar muito tempo, novamente, para postar neste Blog, é porque minnha briga com a NET deu num beco que não tem mais saída.

Até.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Peace on Earth for the men of goodwill

Olha, eu sei que é o primeiro post do ano, e eu adoraria falar de cultura, cinema, quadrinhos ou qualquer coisa que é o mote original deste Blog, mas não deu.

"I'm gonna start a revolution from my bed", como diria John Lennon. "Não deixem a guerra começar", diria Renato Russo, logo após dizer que "nenhuma guerra pode ser santa", pois "isso é uma contradição em termos".

Vamos fazer uma analogia?

Vou ilustrar uma situação:

Imagineque você tem dois vizinhos. Os Souza e os Correia. Eles se odeiam, não podem olhar uns nas caras dos outros. Os Souza moram do outro lado da rua, e os Correia moram nos fundos da sua casa. Os Souza são um pouco mais civilizados, não mexem com ninguém, preferem não encontrar os Correia, mas os Correia, que já foram donos da casa dos Souza, mesmo que não por direito, querem porque querem ver a família rival longe da vizinhança.

Ambas as famílias têm fábricas de fogos de artifício: os Souza têm uma grande, tecnológica, de última geração. Os Correia têm uma na edícula da casa deles.

Os Correia, como querem os Souza fora da vizinhança, os azucrinam, mandando, o dia inteiro, bombinhas de mil na janela da sala, que é o máximo que elas alcançam, mas os Souza, pacientemente, não respondem aos ataques. Negociam, pois a vizinhança toda está de olho. Levantam muros, tentam dificultar as coisas.

Mas, um dia, uma bombinha de mil passa a janela, que estava aberta, e machuca o bracinho da pequena filha do senhor Souza.

Irado, ele vai até o estoque, pega seus melhores fogos, arma todos no teto de sua casa e começa a atirar, só que ele não dá a mínima para o fato de que a casa dos Correia é uma casa de fundos, e, praticamente, demole a sua casa, antes de fazer o mesmo com a casa de seus inimigos.

Outra analogia:

Houve um sequestro no banco. um assaltante se tornou assassino, quando, ao escapar, usando uma refém de escudo, atira e mata um policial que fazia a escolta. Irado, outro policial atira, bem no peito da refém, pois sabia que, assim, atingiria o coração do assassino, o matando.

Você concordaria com a atitude do senhor Souza?

E com a do policial?

Pois é. Quase mil mortos na Palestina, desses, aproximadamente 90% civis, contra onze israelenses mortos, dos quais, oito soldados. Uma reação desproporcional, irracional, comparável ao que os judeus sofreram no Holocausto. É idsso que estamos falando.

Sempre há um outro meio. Tem de haver. Eu não posso me sentir no direito de matar gente inocente só porque meu vizinho mata gente inocente. Isso é covardia. Isso é se rebaixar ao mesmo nível do outro.

Não estou sendo puritano, sou a favor da pena de morte, mas acho que você deve matar quem mata, e não quem serve de escudo para quem mata. Israel é um país rico com um exército que ousa se autoproclamar "o mais bem preparado do mundo", mas não é capaz de dar um jeito melhor para isso!

Uma guerra que custa 8 milhões de dólares ao dia, que mata 100 vezes mais de um lado do que de outro, que cada tiro saído de uma pistola especial custa 2500 dólares, enquanto milhões morrem de fome na África, na Ásia e aqui, na América.

Qual é o preço do sangue de gente inocente?

Qual é o real preço de uma guerra?

Será que o que a geração de sessenta nos ensinou não vale pra nada?

"LET'S GIVE PEACE A CHANCE"

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

15ª Fest Comix HOJE!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Começou hoje a 15ª Fest Comix, lá pertinho do metrô Consolação.

Dei uma olhada nas ofertas e... confesso... é uma pena não poder ir neste fim-de-semana... as pechinchas estão demais!!!!!

Dêem uma conferida no blog da Fest Comix e vejam, também, a programação de entrevistas e palestras!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"HQ O QUÊ?" na FNAC Pinheiros

Recebi o release por e-mail:

"4º Festival de Quadrinhos da FNAC
de 20 a 25 de outubro

O "HQ O QUÊ?" tem mostrado o forte papel dos quadrinhos como incentivador da leitura, instrumento educativo e parte fundamental da produção literária e artística do Brasil. Durante uma semana, o universo dos quadrinhos é discutido, com um tema diferente por dia com desenhistas, editores, jornalistas e profissionais especializados em forma de palestras, bate-papos e oficinas, para quem é amante de quadrinhos e para profissionais que buscam ingressar no mercado de trabalho. Curadoria de Silvio Alexandre.

Dia 20/10 (2ª feira), às 19h:
Cláudio Seto, o Samurai dos Quadrinhos
Cláudio Seto foi o primeiro artista brasileiro a utilizar o traço característico do mangá em publicações nacionais. Isso ocorreu na década de 60. Ele publicou histórias de samurais e ninjas, numa época em que ninguém sabia direito o que significavam esses termos. Seu personagem O Samurai, sairá este ano em um álbum pela Devir. Para falar sobre quem lançou o estilo mangá no país, teremos um bate-papo com a professora e pesquisadora Sonia Luyten; e o escritor e jornalista Gonçalo Júnior.

Dia 21/10 (3ª feira), às 19h:
Prêmio Fnac Novos Talentos: anúncio oficial dos ganhadores
Neste encontro serão anunciados os ganhadores do Prêmio Fnac Novos Talentos - Quadrinhos com coquetel e atrações especiais (www.fnac.com.br/premiofnacnovostalentos). Teremos, também, a exibição do premiado documentário Dossiê Rê Bordosa de César Cabral, feito em animação stop-motion, que investiga as razões por trás da decisão do cartunista Angeli de matar uma de suas mais famosas criações, a diva underground Rê Bordosa. O filme conta com depoimentos de Angeli, Laerte, Toninho Mendes (editor da revista Chiclete com Banana), e as vozes de Grace Gianoukas como Rê Bordosa e Paulo César Pereio como Bibelô.

Dia 22/10 (4ª feira) , às 19h:
Bate-papo com o artista argentino Liniers, o mais recente fenômeno dos quadrinhos
Conversa descontraida e informativa com Ricardo Liniers, respondendo questões do quadrinista Eloar Guazzelli Filho e do jornalista Eduardo Nasi, sobre o atual momento dos quadrinhos na Argentina e no mundo. Lançamento do álbum "Macanudo", com suas tiras poéticas, irônicas e reflexivas no Brasil pela Zarabatana Books.

Dia 23/10 (5ª feira), às 19h:
Mesa-redonda: Publicação independente, uma saída para o mercado dos Quadrinhos?
O cenário de quadrinhos brasileiros tem melhorado bastante, tanto pelo aumento de produção, quanto pelo aumento de qualidade. E muito disso se deve a uma forte produção de quadrinhos independente, que hoje no Brasil, representa 90% do que é publicado. Os quadrinhistas Edu Mendes, Will, Cadu Simões, Marcos Venceslau, Daniel Esteves e Flávio Luiz discutem se os independentes serão a solução para os problemas do mercado editorial.

Dia 24/10 (6ª feira), às 19h:
Bate-papo: As atuais mudanças e transformações dos Quadrinhos no Brasil.
O editores da HQM Editora conversam sobre a nova safra de autores, a produção de quadrinhos nacionais e como as editoras enxergam este mercado. Além disso, os editores Carlos Costa, Artur Tavares e Leonardo Vicente falarão sobre os próximos lançamentos da editora programados para 2008 e 2009. A mediação será feita pelo jornalista Paulo Ramos, do Blog dos Quadrinhos.

OFICINAS

Dia 25/10 (Sábado), das 12 às 15 horas
Oficina: Comics Power – uma nova metodologia de produção de quadrinhos
O cartunista e jornalista indiano Sharad Sharma desenvolveu a metodologia Comics Power (Poder das HQs), cuja proposta é mostrar que, através dos quadrinhos, todos podem auxiliar na mobilização social e na luta por direitos. Com esse método qualquer pessoa pode montar uma HQ a partir de sua história de vida. A dinâmica é simples e acessível à maior parte das pessoas, mesmo as que não sabem ler e escrever. Hoje, sua metodologia está presente no Sri Lanka, Finlândia, Moçambique e Brasil. Inscrições (11) 3579-2039. vagas limitadas.

Dia 25/10 (Sábado), das 16 às 18 horas
Oficina: A narrativa nos quadrinhos - Marcelo Campos
O que diferencia as Histórias em Quadrinhos de qualquer outra mídia são as ferramentas de linguagem específicas que criaram esta forma de expressão, aprimoradas através dos anos por centenas de artistas no que chamamos de narrativa ou storytelling. A intenção desta oficina é apresentar uma base desta estrutura de linguagem, seus símbolos gráficos e um pouco da evolução do que chamamos sintaxe. Inscrições (11) 3579-2039. vagas limitadas.

Dia 25/10 (Sábado), das 18 às 20 horas
Oficina de Fanzine - Will
Oficina com o ilustrador e designer gráfico Will. O objetivo desta atividade é analisar, através da teoria e prática, o processo de concepção das publicações de fãs. Analisando algumas das atuais publicações e também aquelas que fizeram a história do gênero, procuraremos vivenciar situações reais da criação deste popular veículo de comunicação. A intenção é oferecer instrumentos ao fanzineiro, futuro profissional dos quadrinhos ou da área editorial, para que ele possa criar e apresentar um material com conteúdo editorial e de informação coerentes e também com qualidade gráfica compatível com as atuais tecnologias de impressão. Com apostila. Inscrições (11) 3579-2039. vagas limitadas."

O Evento vai acontecer na FNAC Pinheiros, na Av. Pedroso de Morais, 858 - Pinheiros (SP)
Fone: (11) 4501-3000

A Entrada é franca!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Como eu disse na postagem anterior, vivemos em função do relógio.

Nós, todos os dias, mergulhamos em nossas rotinas e vivemos engasgados de repeições, fazendo sempre as mesmas coisas, sem mudar, sem variar.

Acordamos no mesmo horário. Levantamos, escovamos os dentes, nos vestimos e vamos trabalhar. Todos os dias, o mesmo "bom dia", as mesmas caras entediadas, as mesmas testas franzidas, as mesmas pressões e, o mais impressionante, ninguém explode!

É disso, e começando muito bem, com um leitmotif do Nine Inch Nails - que vem para o Brasil no mês que vem -, na música "Everyday is Exactly The Same", para o protagonista, que fala o filme "O Procurado", do russo Timor Bekmambetov, o mesmo de "Guardiães da Noite".

O filme é, em si só, uma catarse. É tudo o que um nerd qualquer adoraria que acontecesse em sua vida: você está de saco cheio até que, um dia uma Angelina Jolie aparece em sua vida, diz que você é o máximo, o único cara que pode matar um outro cara muito bom, mesmo, e, de repente, você se vê possibilitado a mandar aquela chefe pra um lugar que só é prazeroso pros outros irem, destrói um teclado na cara do filho da mãe que se diz seu amigo, mas trepa com a sua mulher e ainda tasca um beijo na Jolie na frente dela, indo, de vez, viver uma vida nem um pouco monótona e cheia de aventura e coisas impossíveis.

"Jornada do Herói", "Mito da Caverna", tudo aquilo que, já se sabe de trás-pra-frente, é  o segredo de qualquer boa história, está no roteiro deste filme que, além de um bom roteiro, é um show de imagens alucinantes e bonitas, uma trilha sonora muito boa e atores fazendo bem seus trabalhos.

Não posso dizer que não é um bom filme.

Aliás, é mais que um bom fime.

É um ótimo filme.

Só tem um pequeno defeito no roteiro: é previsível demais, mas todos nós sabemos que bons roteiros não contam histórias imprevisíveis, mas histórias boas.

Quem não viu, vá ver.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Três

Primeiramente, eu devo aos leitores deste Blog as minhas desculpas.

Hoje faz três meses e mais três dias que eu não escrevo uma letra neste ainda jovem Blog. E, para um Blog que tem nove meses, três são um tempo e tanto.

Uma coisa da qual eu não posso reclamar da vida é da profissão que eu tenho. Num mundo onde as pessoas sofrem uma grande pressão e acabam por escolher sua profissão única e exclusivamente pelo dinheiro que ela pode proporcionar no futuro, eu tive o privilégio de escolher para a minha vida exatamente aquilo que gosto de fazer: cinema, vídeo, quadrinhos e internet.

Faz um tempo que não faço cinema, e meu relacionamento com os quadrinhos andam só no ítem "crítica", mas isso não vem muito ao caso.

O importante a dizer aqui é que, apesar de eu fazer o que gosto, minha profissão tem muitos defeitos, e o mais insuportável deles, de longe, é o "prazo".

Esta semana, no programa "Circo do Edgard", exibido no MULTISHOW, o apresentador do"Fantástico" Zeca Camargo colocou no topo de uma lista "os três mais malas" o relógio.

Eu sei, todas as profissões trabalham com prazos, algumas mais, outras menos, mas havemos de concordar que nada é mais restritivo e torturante do que o prazo nas áreas de publicações e imprensa.

Fechamento.

Esta palavra causa calafrios, urticárias, pesadelos e, até, suicídios em pessoas que trabalham com publicações o ano inteiro.

Pra mim, ela vem em todo começo de mês e, vou te dizer, é um inferno. Por que? Porque, ao contrário de todas as outras pessoas na revista, cujos trabalhos dependem somente deles mesmos, o meu trabalho, em certo momento do fechamento, depende do trabalho dos outros.

E é aí que o prazo aperta.

Porque, enquanto todo mundo mira terminar seus trabalhos para o envio da revista para a gráfica - uma semana antes da revista chegar nas mãos dos associados -, ninguém percebe que eu também praciso mirar a mesma data, só que eu não posso editar as matérias em vídeo sem um texto. Audiovisual é assim: o áudio não vem antes à toa.

O ano inteiro eu fui ficando pior de saúde, gradativamente, por causa deste stress de fechamento de revista. Mas nos últimos meses eu fiquei ruim mesmo, e, para piorar, ainda tive que cuidar de mudança de casa, autoração de DVD e, no último mês, preparação de aula, uma vez que virei professor universitário.

Não estou justificando, mas estou pedindo desculpas, aqui, e prometendo que, apesar da correria, serei mais fiel ao Blog à partir daqui.

E gostaria, também, de agradecer àquelas visitas que apareceram constantemente, durante esta lacuna, e não deixaram cair a peteca do Blog durante esses longos três meses.

terça-feira, 8 de julho de 2008

No melhor estilo "salvem o planeta"

Vou fazer uma resenha dupla, com um certo atraso: WALL-E e AGENTE 86 (GET SMART).

WALL-E - Imagine como o mundo seria se não seguíssemos o prazo dado esta semana pela ONU, de sete anos, para reverter o rumo das coisas na Terra.
Imagine o resultado disso daqui a uns cem anos.
Agora, imagine se nós bandonássemos a Terra, porque ela virou um monte de lixo sem vida, e fôssemos, literalmente para o espaço, deixando a Terra nas "mãos" de robôs compactadores de lixo, imbuídos de inteligência artificial, que, 700 anos depois, ainda nã conseguiram organizar todo o lixo que nós deixamos para trás.

Este é o ambiente em que o robôzinho com cara de triste Wall-e existe, e trabalha duro, apesar da monotonia, além de colecionar bizarras peças de engrenagens que ele "acha" interessantes.

Isso até parecer Eve, uma (desde quando robô tem gênero? Bom... Vamos chamar isso de "licença poética") robozinha de rastreamento, que faz parte de uma tentativa periódica dos humanos de encontrar vida na Terra e reabitar o planeta.

Obviamente, Wall-e se apaixona por ela e, daí, começa toda a "aventura" do filme.

Cara, o filme é feito pra ser "bonitinho", como todos os filmes da Disney/Pixar, mas ele dá conta do recado com méritos maiores do que só "bonitinho". Nunca pensei que um dia eu ia dizer isso, mas o grande mérito do filme é ele ser panfletário. Sim, ele é panfletário, e eu odeio coisas panfletárias, mas este filme consegue ser panfletário de uma forma tão agressiva e, ao mesmo tempo, imperceptível, que ele ficou legal.

Eles se aproveitaram do caos para o qual caminhamos a passos largos e deram um tapa na cara da humanidade. Nada escapa: poluição, tecnologia, preguiça, alienação, cegueira, está tudo lá.

E tudo isso ainda consegue vender bonecos, mochilas e cobertores, com a excelência que só a Pixar pode fazer.

Um filme educativo, uma maneira inteligente de se fazer campanha pela salvação do planeta.

AGENTE 86 (GET SMART) - Agora, imagine uma pessoa absurdamente inteligente e, ao mesmo tempo, extremamente estúpida (estúpida no sentido de esperta) ao mesmo tempo. Este é Maxwell Smart, um espião muito competente e minuscioso da agência de espionagem americana CONTROLE.
Justamente por fazer sempre seus relatórios com os mínimos detalhes das conversações da KAOS (agência de espionagem e planos maléficos russa) é que Smart é alvo de chacota de seus companheiros de trabalho.

Mas é na mão de Smart que todos ficam quando os russos conseguem praticamente extinguir a CONTROLE, forçando o "Chefe" a promover Maxwell a "Agente 86" e designando a ele e à "Agente 99" a missão de reerguer a agência das cinzas, retomando a dignidade da mesma, ao mesmo tempo que impedem os planos da KAOS de executar um ataque terrorista em território americano.
Com todos os elementos da série que se consagrou nas décadas de 60 e 70, fazendo paródia dos filmes de espionagem, estilo 007, o AGENTE 86 consegue te fazer rir do começo ao fim, com um humor fácil e iluminação "Prime Time", sem muitas áreas subspostas e grande absorção pelo grande público.

Faz o que se propôs a fazer. Um filme que merece ser assistido, afinal, bons atores, bom roteiro e boa técnica sempre resultam em um bom filme!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

À Partir De...

Hoje, vou entrar num assunto delicado e que não é muito a minha área, portanto, se alguém quiser me convencer do contrário, por favor, o faça nos comentários, pois serão todos lidos e, caso mereçam, respondidos.

É que, há algum tempo, me incomoda uma "saída pela tangente" do marketing varejista, que adora "apunhalar o consumidor pelas costas", ou "pegá-lo no contrapé", como diria algum goleiro por aí: o já famoso "à partir de".

Vou dar um exemplo de caso da "jogada" de marketing do varejo brasileiro: você vai até uma grande rede de hipermercados e se depara com uma prateleira de cd's. Chega perto e vê o precinho convidativo de R$12,00 (R$11,99, na verdade) pelos CD's, mas não repara que, acima do preço, obviamente fora do balão que o informa, em letrinhas miúdas, está o "à partir de", discretamente estampado.

Você remexe a prateleira em busca de um CD que preste (primeiro erro do ingênuo consumidor) e descobre que a prateleria, na verdade, deveria ser de "à partir de" R$19,00 (R$18,99), mas nem esquenta e continua procurando.

Quando você acha um CD que "não tem preço", e é exatamente aquele que você levaria, caso ele custasse R$11,99. Mas, escaldado que você é, você vai ao leitor de código de barras, que não funciona. Procura outro, geralmente do outro lado do mercado, e descobre que, caso levasse ao caixa, pagaria não menos do que R$32,00 (R$31,99). Larga o CD na sessão de bebidas, desapontado, e volta para casa.


Outro exemplo, não muito diferente, é o da loja de roupas que, para atrir o seu consumidor estilo "ratoeira" coloca na porta da loja "camisas 'à partir de' R$20". Você entra na loja e, não antes de ser importunado por um vendedor oportunista ("meu nome é Mário, se precisar de alguma coisa"), você descobre que precisa atravessar a loja inteira para chegar numa arara com cinco camisas de R$60, que fazem parte da promoção, afinal, as que não estão em promoção, geralmente aquelas que não te fariam passar vergonha ao vestí-las, custam "à partir de" R$120.

Esta semana, que eu fiquei inteira sem postar aqui no Blog para tentar, em vão, realizar meu sonho da casa própria, me deparei com um site de uma construtora que se gaba de fazer "imóveis a preços que você pode pagar". Até aí, tudo bem: dependendo de a quem eles se dirigem, eles podem não estar falando comigo, certo? Pois bem: chafurdando no site, reparei que os apartamentos não tinham preço, apenas informavam, todos, que tinham prestações "à partir de" R$240,00.

O consumidor ingênuo (eu, por exemplo) se sente feliz com isso. Imagine você passar a pagar para alguém a metade do que você paga de aluguel e, ao invés de jogar esse dinheiro a um "fundo perdido", você investir em algo que será seu?

Animado, você quer logo falar com alguém e, logo, se vê conversando com um robô on-line, que só sabe dizer duas coisas: "todos os empreendimentos da Construtora ***** têm preços 'à partir de' 58 mil reais" e "para maiores informações, o senhor terá que conversar com um vendedor direto na loja da *****". Mesmo assim, você fica feliz, desmarca todos os seus compromissos (afinal, o que e mais importante do que a sua casa própria?) e marca com eles no sábado, às 16h.

Chegando à loja, você se anima com a classe social das pessoas que estão sendo cordialmente atendidas na loja: todas parecem receber menos que você. Você é prontamente atendido or um vendedor que não é o que marcou com você e fica sabendo das más notícias:

1. O apartamento não custa R$58 mil, mas R$90 mil. Os imóveis de R$58 mil ficam do outro lado da cidade, e lhe obrigariam a pegar dois trens lotados+ônibus para chegar no seu trabalho o qual, atualmente, você só anda dois quarteirões para chegar.

2. A sua renda mensal é a metade da exigida para o financiamento deste apartmento.

Agora, tudo isso poderia ter sido evitado com uma simples mudança de atitude da construtora. Ao invés de colocar que o imóvel (qualquer um deles) pode ser comprado com prestações "à partir de" R$240, ou informar, via atendimento eletrônico, que qualquer um dos empreendimentos tinha preços "à partir de" R$58 mil, colocar coisas menos simpáticas, porém, mais esclarecedoras, do tipo "prestações de acordo com a renda do comprador - rendas à partir de R$2 mil", ou "imóveis com preços entre R$58 mil e R$200 mil", ou, ainda, simplesmente colocar o preço do imóvel no site.

Isso não deveria nem precisar da tal "auto-regulamentação". É uma questão ética: tratar o seu consumidor com honestidade e respeito. Afinal, o cara que, como eu, vai até lá quebrar a cara, não vai poder MESMO comprar o imóvel, nem vai se mudar para o outro lado da cidade e pegar duas horas (no mínimo) de trânsito para ficar longe da família e do trabalho, só para ter seu imóvel (para isso, eu compraria algo em Santos, que tornaria vários aspectos da minha vida pessoal, incluindo conjugal e de saúde, muito melhores).

É só perda de tempo para o "não-comprador" e para o "não-vendedor", que poderia estar atendendo alguém que REALMENTE possa comprar o imóvel pretendido.

Faz um tempo que eu reclamo do "à partir de", mas, este final de semana, eu realmente perdi a paciência. Uma coisa é fazer isso com um CD, numa prateleira ruim, que vai fazer você gastar uns trocados a mais, ou não; outra coisa é você brincar com um sonho de uma pessoa e fazê-la quebrar a cara na frente da família.

Não sei qual é a regulamentação da publicidade em relação a isso, mas acho que é uma saída suja para evitar processos por propaganda enganosa.

Me corrijam se eu estiver errado.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O estúpido e o extremamente inteligente

Li no site G1 que está rolando um "stress" entre a galera do Radiohead e o Prince.

A história é a seguinte: O astro pop americano, que sempre se achou a maior referência artística do mundo desde Beethoven (apesar de fazer uma música pra lá de legal pra porra, o Prince nunca foi 1% do que ele acha que é), ao saber que a sua interpretação de "Creep", do Radiohead, feita em um show, foi parar no Youtube, mandou ao Google, através da diretoria de sua gravadora, uma ordem, seguida ao pé-da-letra, de retirar de seus sites toda e qualquer menção fotográfica, auditiva e/ou audiovisual de seus sites, alegando quebra de direitos autorais.

Até aí, vá lá, era de se esperar, vindo de quem veio.

Só que, aí, o baterista do Radiohead ficou sabendo do vídeo, e quis acessá-lo e, obviamente, não conseguiu. Contou pra banda e, todos juntos, liderados por Tom Yorke, soltaram uma ordem inversa ao Google, como que num "peraí, a música é minha e vai tocar na internet, sim!"

Até onde eu sei, a briga está na justiça.

É isso aí, Radiohead!

Depois dessa, eu até perdôo o último retrocesso de vocês!

"parênteses"

"Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam... Não é bonito, mas é profundo."

tirado do blog http://franciskolwisk.blogspot.com/

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Programa Argentino, Humor Brasileiro e Muito Cérebro


O que fazem sete marmanjos com caras de moleques, usando ternos e óculos escuros fazem na sua televisão todas as segundas-feiras à noite?

Jornalismo? Humor? As duas coisas?

Pois é, o CQC: Custe o Que Custar, que passa na Band, às Segundas, às 22h, é, arrisco eu, o melhor programa da atual TV brasileira. Brasileira? A idéia do programa é argentina.

Não sei se você lembra daqueles caras que cuspiram na água do Parreira, nas eliminatórias da última Copa do Mundo. CQC.

A idéia é bem simples e ousada, ao mesmo tempo: fazer um programa jornalístico com muito humor, mas um humos ácido, contundente e de protesto.

Qual programa de humor, no Brasil, já foi até um bairro chique e chamou a polícia porque o bairro havia sido fechado? Que outro programa já fez um "teste de honestidade" e nos levou a pensar se temos, mesmo, moral para reclamar dos nossos governantes?

Talvez eu esteja exagerando, porque este programa me lembra muito as brincadeiras da época da faculdade (a galera, aí, se lembra do "HEIN?"), muito parecidas com o que os caras do CQC fazem. Os do PÂNICO, também, mas o CQC faz com muito mais estilo, mais cérebro, mais maturidade.

O PÂNICO é a brincadeira pela brincadeira, o CQC é a brincadeira um passo à frente, muito mais elaborada.

Mas acredito que valha, e muito, a pena ficar por uma hora em frente à telinha, sem fazer nada, sendo metralhado por muita política, humor, cultura e gargalhadas.

Um voto a mais para o "repórter inesperiente", que já tirou do sério gente do "gabarito" de Datena, Leão Lobo, Marcelinho Carioca e Gretchen, entre outros.

Fora o "proteste" e o "top five", impagáveis!

É a catarse no seu melhor estilo, do jeito que só a Televisão pode fazer, mas não vinha fazendo há anos, num programa argentino, mas, definitivamente, com seu "jeitinho brasileiro".

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Pra quem quer conhecer Kenny Brown