segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre Mentiras e Omissões


É impressionante que, em plena era da mídia, século XXI, Rádio, TV digital, Internet, Blogs, Twitter etc., as pessoas realmente questionem a legitimidade do poder de fiscalização, controle e questionamento dos três poderes públicos/políticos (Executivo, Legislativo e Judiciário) por parte da Imprensa. Aliás, a definição de "três poderes", principalmente no Brasil, já está muito desgastada.

Um quarto poder vem ganhando força, um poder que eu chamo de "Popular". Desde que me conheço por gente, "pessoas politizadas" (leia-se PeTistas), vêm me ensinando que o povo brasileiro precisava (e ainda precisa) fiscalizar os políticos que elegem, acompanhar seu trabalho, interferir, fuçar, até incomodar aqueles que, via de regra e por definição, são os nossos representantes dentro dos três poderes. Dois, na verdade. O Judicuário não sofre da "interferência popular sazonal".

Realmente, é bastante recente (para não dizer que é inexistente) a vontade do povo brasileiro pela mobilização em função de uma classe política decente, ética e moral. Ela ganhou muita força na última década e tem em dois instrumentos a substituição da luta armada, usada pelo Partido Comunista até a década de 1970: a Internet, grande responsável e facilitadora de movimentos políticos e sociais e da disseminação da educação política de nossos jovens, e a Imprensa, grande ponta de lança do poder Popular, que acelera a mudança do povo brasileiro, visando alcançar aquelas vítimas da exclusão digital e pessoas que ainda apresentam resistência aos jornais de luz e à vida plugada.

É certo que a imprensa tem vícios e as reportagens, via de regra, escondem, por trás das palavras, a tendência política de quem as escreve, mas ela, como a mídia em geral, se apresentou como, não só um instrumento de disseminação das informações, mas, também, uma espécie de polícia investigativa, que espreita por escândalos e corrupções, claro, com fins lucrativos (tudo, no nosso mundo ocidental/capitalista tem esse fim), e que tem, sim, o papel de intrumento social para a fiscalização mais eficiente da classe política.

Acho absurdo que alguns da classe jornalística passe panos quentes na situação e ataque aqueles que cutucam, dizendo que deve-se relevar alguns escândalos em prol de uma suposta "estabilidade" política, econômica e social. É ridículo que aceitemos, seja de quem for, escândalos e corrupções. Na situação em que está o País, precisamos, sim, de uma imprensa que escancare o que há de mais (e menos) sujo em todos os níveis da política nacional, mostre o que há de exemplo a ser seguido e ensine nosso povo que um País sem uma classe política decente não vai nunca chegar à igualdade social que todos nós almejamos.

Num País que alguns jornalistas com tendências políticas tendem a recriminar jornalistas que falam a verdade (seja com qual intensão for), não é de se surpreender que, nas camadas mais pobres da sociedade, o marginal é herói, o traficante é objetivo de vida da criança e o "jeitinho brasileiro" seja disseminado como algo bom, tornando a malanragem regra e criando a cultura de "bolsas família" e afins, que ancoram os menos favorecidos na situação em que estão.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Show do Grotesco


Susan Boyle. Connie Talbot. Mari Moon. Stephany (a do "Crossfox Amarelo"). Zina (o "Ronaldo, brilha muito no Corinthians", do Pânico na TV). Mulher Melancia. Maysa. BBB. Rodney Dy. O que todos tem em comum?

Beleza? Certamente, não todos. Talento? Com exceção das três primeiras (com ressalvas), nenhum. Cérebro? Menos. Mas o que, então, tem todos eles que nos fascina, nos leva a buscar na internet, ver, rever, permitir que nos apresentem, dar audiência a tais elementos completamente dispensáveis às nossas vidas?

Pode verificar: todos são "celebridades" fabricadas pela mídia, feitas para serem "carismáticas" ao menos por um tempo suficiente para que seja fabricada outra, que substituirá a anterior, sem talento ou "carisma" suficientes para entreter as massas por tempo satisfatório.

São descartáveis. Temporários. Perecíveis.

O prazo de validade é curto (das listadas anteriormente, só acredito na continuidade de Mari Moon, que sabe se expressar, e de um ou outro BBB que a mídia suporte, por terem todos a Globo como cartaz), vez ou outra tão curto quanto a paciência do público ou da própria "celebridade" (vejam o caso de Boyle, que, desculpando o trocadilho, "ferveu" MESMO o cérebro e descobriu que sua vida pacata era mais confortável, a despeito de todo seu talento).

Mas "celebridades" fabricadas não são novidade. Elas estão por aí desde que existe a mídia. Para se ter uma idéia, dese que Holywood se tornou uma indústria, ela dependia do famso "Star System" para se vender. Eles perceberam que, quando o ator ou a tariz era conhecido(a) o filme vendia muito mais. Então, eles passaram a "fabricar" esse tipo de "estrela", para que a indústria prosperasse.

Depois, veio a indústria da música (da maneira que a conhecíamos até recentemente) e, com ela, uma maneira peculiar de se "fabricar" estrelas. As gravadoras criaram, desde o início do século, um esquema para multiplicar os dividendos de um artista: primeiro, expor sua música exaustivamente em rádios, fazendo a obra entrar na "boca do povo"; depois, lançar um monte de "artistas-cópia", criando um "pseudo-gênero" e vendendo não só os álbuns do "artista principal" (main-artist, no inglês), mas os das cópias, também.

Veja, como exemplo, gêneros de grupos musicais, como as "boy bands", os grupos de pagode, a exorbitante quantidade de subgêneros do Rock and Roll e, mesmo do já subgênero de Rock, o Heavy Metal, todas as crias de Madonna (Britney, Cristina etc.) e, mais atualmente, as dezenas de Beyonceés.

A fórmula da cópia serve, também, para a TV, e mesmo o cinema se usa de fórmulas-padrão, principalmente o "monomito", ou "Jornada do Herói", de Joseph Campbell (leia mais sobre isso aqui, aqui e até aqui), que funciona muito bem.

Hoje em dia, este esquema ainda existe, mas perdeu a força, devido ao fenômeno da Internet. A maior parcela da população economicamente ativa não depende mais do desejo de gravadoras ou grandes empresas para formar seu gosto, seja musical, audiovisual, artístico, televisivo, enfim, se você quer, você procura, você acha, você decide se gosta ou não.

Apenas a parcela menos favorecida da sociedade, que tem pouco acesso ou acesso restrito ou nenhum acesso à rede, ou aqueles que não tem intimidade com ela ou aqueles que, simplesmente, tem preguiça de vasculhar, acaba vulnerável ao que ráios, emissoras de TV ou interesses de grandes empresas de entretenimento nos enfiam goela abaixo.

Daí vem o cerne da questão: para não perder o poder de controle das massas que faz a mídia vender publicidade e sobreviver, os veículos de comunicação se fizeram valer de uma teoria de Arlindo Machado, que diz que o público se sente atraído pelo "grotesco". O "bizarro" toma conta do talento e ocupa todo o tempo de telejornais, programas de variedades e sensacionalistas em geral. Para atrair o público para a frente da tela (ou para o dial em questão), roteiristas, produtores e diretores apelam para o ridículo, o risível.

Mas, como já foi dito aqui, na maioria esmagadora dos casos, falta talento de verdade a esses produtos e, devido a isso, sobra perecibilidade aos mesmos. O prazo de validade das bizarrices é cada vez menor, então, as mídias as exploram à exaustão, criando um círculo vicioso e a necessidade cada vez maior de se substituir rapidamente o grotesco, para manter o interess do público em alta.

E, como nós temos MESMO um interesse estranho pelo grotesco, depois de vermos na televisão a criação da "celebridade", procuramos por ela na Internet, criamos perfis falsos no Twitter, no Orkut, comunidades etc. Eu, mesmo, sou seguido, via Twitter, pelo perfil falso (óbvio) do Zina, o famoso "Ronaldo, brilha muito no Corinthians".

E o caminho inverso também vale: sucessos do Youtube, como a "Stephany Crossfox Amarelo", Rodney Dy e a "Dança do Créu", acabam importados pela TV, em programas popularescos.

Se não gostamos, cabe a nós mesmos filtrarmos o que queremos ou não ver, como eu mesmo fiz, cortando quase completamente a TV da minha rotina, salvo aluns programas que ainda acho interesantes. Eu costumo preferir a mídi impressa e a internet.

Como disse o sábio Gugu, numa passagem da minha adolescência, a nossa TV tem um botãozinho vermelho, seja no aparelho, seja no controle remoto, que nos dá o poder de assistir, ou não, às porcarias que ela exibe.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Descanse em Paz, Michael

Quinta-feira passada, o mundo musical teve a sua maior perda desde Fredy Mercury.

Michael Jackson pode não ter sido o último criativo da música mundial -- poucos, mas notáveis, tem feito coisas bem legais de 1990 pra cá --, mas, falo com toda a certeza do mundo, foi o último grande.

Como disse Danilo Gentili em sua coluna no jornal Metro, é raro demais ver gente fazendo coisas que ninguém nunca fez antes e pouquíssimos fizeram da maneira de Michael e influenciaram tantos quanto Michael.

Desde o Rock n' Roll até o mais comercial dos "Black Musician" americanos, todos chuparam um pouco de Michael.

Dá para contar nos dedos os que fizeram tanta diferença para a música e a arte na história.

Como disse Marcelo Tas em seu Blog, nenhuma bizarrice, incluindo o noticiário de sua morte, vai apagar o que Michael fez.

E, a exemplo do mesmo Tas, vou deixar aqui o que eu mais gostei da carreira de Michael Jackson. Mas, como sou um cara do audiovisual, não vou me limitar à música. Não vai ser a minha música preferida, mas meu clipe preferido.


O pesar é enorme quanto à morte de Michael.

Descanse em paz.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mais uma crônica de outra morte anunciada.

Agora é oficial.

Depois de muitas tentativas de contato e de eu ser muitas vezes ignorado, infelizmente, de acordo com nota publicada no site UNIVERSO HQ, a EDIOURO, atual única dona da Pixel, hoje transformada em apenas um selo de quadrinhos dentro da Ediouro, rompeu seu contrato com a DC e não mais publicará as séries dos selos Vertigo, Wildstorm e ABC, que vinham saindo nas revistas Pixel Magazine e Fábulas Pixel, que estão oficialmente canceladas, ou em forma de encadernados e minisséries.

Mais uma vez, os altos prejuízos causados pela baixa vendagem e os altos custos, agravados pela alta cambial e a crise internacional, desta vez, são as desculpas.

O próprio Universo HQ fez críticas às desculpas e, convenhamos, eles esão certos. É fácil demais culpar as baixas vendas e a crise pelos prejuízos, tirando a responsabilidade de si, em vista da parca distribuição, os atrasos e, principalmente, o descaso com campanhas publicitárias para promover o material publicado.

O público leitor de quadrinhos juvenis e adultos aqui, no Brasil, já é ridículo. Já é conhecido que, aqui, lemos Mônica, e só. A tiragem de outras revistas em quadrinhos é baixíssima. A Panini consegue sobreviver neste mercado devido à grande quantidade de títulos e muita competência na divulgação do material. A Wizard (Wizmania) não é apenas uma forma de propagar notícias, mas, também, uma jogada genial de marketing.

Nada, em lugar nenhum, sobrevive sem divulgação, ainda mais se você levar em consideração que não é cultura do brasileiro ler, muito menos histórias em quadrinhos. O estigma de subliteratura sobrevive firme e forte por aí. Materiais como Sandman, Fábulas, Hellblazer,   Preacher e Monstro do Pântano são tão bons quanto surpreendente para 90% da população que, quando faz amizade com um indivíduo que lê quadrinhos discretamente (porque, quando ele torna pública a paixão dele por quadrinhos, imeditamente é marginalizado e rotulado como "infaltil" ou "nerd" ou qualquer coisa perjorativa -- não que nerd, hoje, seja perjorativo -- que você imaginar), acaba pegando na mão um material destes e percebe que o preconceito que tinha com os quadrinhos até aquele momento era apenas isso, mesmo, e que quadrinhos podem ser dirigidos para um público maduro, que espera boa literatura.

Acreditar que simplesmente a qualidade, indiscutível, do material vai fazê-lo vender, por si só, é uma ingênuidade que o mercado brasileiro não perdoa. E achar que São Paulo sozinha vais sustentar o selo também é primário. E São Paulo, quando eu digo, é a cidade, e não o Estado. Até pouco tempo, eu estudava em São Carlos e, até hoje, costumo comprar as minhas coisas em Santos, onde passo meus fins de semana e sei que é virtualmente impossível encontrar material que não seja mangá e Panini (esta última, também, com alguns problemas de divulgação) a não ser em bancas especializadas e, mesmo assim, há muito material que, nas poucas vezes que chega, é irregular, faltando edições etc.

Pra citar o caso mais crítico, em São Carlos, onde eu estava quando a Pixel começou a publicar a Pixel Magazine, eu esperava um mês inteiro depois da revista chegar em São Paulo para uma única revistaria da cidade receber três exemplares (quando muito) e um era meu!

Vamos levar em conta, aqui, também, que o trabalho editorial, incluindo qualidade gráfica, tradução, escolha dos títulos, maneira que eram publicados, preço etc., era excelente.

Mas o mercado brasileiro é cruel com quem comete erros com ele.

Só nos resta esperar que alguém pegue este material e dê continuidade, senão nos mesmos moldes, ao menos publique até o final as obras que chegamos, até, a nos acostumar em ler e a esperar o(s) mês(es) inteiros nsiosamente pela continuação.